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Como menina picada por cobra com veneno entre os piores do país sobreviveu a choque anafilático em SC

Menina de 4 anos sofe choque anafilático após ser picada por cobra em SC Uma menina de 4 anos foi picada por uma filhote de cobra-coral verdadeira, uma das es...

Como menina picada por cobra com veneno entre os piores do país sobreviveu a choque anafilático em SC
Como menina picada por cobra com veneno entre os piores do país sobreviveu a choque anafilático em SC (Foto: Reprodução)

Menina de 4 anos sofe choque anafilático após ser picada por cobra em SC Uma menina de 4 anos foi picada por uma filhote de cobra-coral verdadeira, uma das espécies mais venenosas do país, ao brincar com o irmão em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina. Segundo a mãe, Jéssica Schutell, a criança sobreviveu a choques anafiláticos – o ponto mais agudo de uma reação alérgica, que pode levar à morte em pouco tempo. A picada aconteceu após o irmão confundir a serpente, que tem uma peçonha neurotóxica - ou seja, que ataca o sistema nervoso - com uma minhoca. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Segundo o médico alergista Júlio César, do Centro Clínico Órion Complex, o choque anafilático é a forma mais grave de alergia, cuja reação é sistêmica, rápida e potencialmente fatal. "Ela acontece quando a reação alérgica deixa de ser apenas na pele, por exemplo, e passa a comprometer órgãos importantes, principalmente a parte respiratória e a circulatória" (veja mais abaixo). No caso ocorrido em 25 de abril, o atendimento veloz da equipe médica foi crucial para salvar a vida da pequena Olívia, de acordo com Jéssica, que saiu às pressas de casa com a filha e o marido. O herpetólogo Tobias Kunz explica que o envenenamento por corais é um dos mais perigosos do país pelo risco de evoluir rapidamente para quadros graves (leia mais abaixo). "Foi tudo muito rápido e acredito que foi isso que ajudou a recuperação dela ser tão rápida também", comentou. Como aconteceu? O caso aconteceu após o filho mais velho ver os gatos brincando com a cobra no terreno de casa. "Pegou ela pelo rabo e trouxe para dentro de casa, falando que era uma minhoca. Eles ficaram alguns minutos observando a tal minhoca", comentou. Depois, ele colocou a cobra em cima das pernas da irmã. A mãe suspeita de que a filha tenha se assustado e apertado o animal, que respondeu com uma picada no calcanhar. "Na hora, meu marido já viu que era uma cobra-coral. Peguei ela e documentos, ele pegou um pote e capturou a cobra. Saímos às pressas para o primeiro pronto-atendimento que havia". Lá a criança foi atendida pela primeira vez e, em seguida, foi encaminhada de ambulância até um hospital. Leia também: Cão de influencer morre picado por cobra-coral e tentativa de salvamento comove a web Oito filhotes de coral-verdadeira são encontrados dentro de casa Infecção e lesão na boca: biólogo alerta riscos após mulher morder cobra Segundo o documento de transferência, ao qual o g1 teve acesso, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Santa Catarina (CIATox/SC) confirmou se tratar de uma coral-verdadeira. "A gente foi atendido muito rápido. Todos foram muito prestativos. Chegamos com a cobra e já entramos direto e todos os médicos já correram para os primeiros-socorros", relatou. Menina de 4 anos sobrevive a choques anafiláticos após picada de cobra-coral Arquivo pessoal Menina sofreu choques anafiláticos O primeiro choque anafilático, segundo a mãe, ocorreu ao iniciar a aplicação do antídoto para neutralizar o veneno da coral. Ela ficou "totalmente inchada", segundo a mãe, e com a respiração comprometida. Também vomitava muito. Olívia foi transferida para a ala vermelha do hospital, onde permaneceu até finalizar o antídoto. "Foi tendo reações alérgicas até o final desse soro. Cada reação era diferente. Em todas as três crises foram usadas adrenalina e antialérgicos", disse. A criança ficou três dias no hospital. Depois, foi necessário mais uma semana em casa para se recuperar totalmente e voltar à rotina normal. Segundo o médico Júlio César, pacientes podem ter sequências de reações anafiláticas (reação alérgica grave) em alguns contextos. "Em algumas situações, a pessoa pode melhorar do processo da anafilaxia e, horas depois, voltar a apresentar sintomas - a gente chama isso de reação bifásica. Também pode acontecer da reação ser prolongada ou de difícil controle, exigindo um atendimento médico, observação mais de perto", comentou. "Tecnicamente, a anaflaxia pode acontecer mesmo antes da pessoa entrar em choque. O choque é quando existe uma repercussão circulatória cardiovascular, como uma queda de pressão, desmaio, palidez, confusão, fraqueza intensa ou sinais de má circulação", completou. Veneno potente O biólogo Christian Raboch Lempek, da Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente (Fujama), disse que a cobra-coral verdadeira tem um dos venenos mais potentes entre as serpentes do país. "Ela é da família Elapidae. Todos esses animais têm uma peçonha poderosíssima, com baixo peso molecular, que se espalha rapidamente pelo corpo e age diretamente no sistema nervoso", explica. De acordo com ele, diferente de espécies que dão bote, acidentes com coral costumam ocorrer apenas se o animal for machucado de alguma forma. O herpetólogo Tobias Kunz, adiciona que, no Brasil, há cerca de 30 espécies do gênero Micrurus, e que entre elas há algumas diferenças na composição do veneno. Todas, no entanto, tem ação principalmente neurotóxica. "Seu veneno tem ação principalmente neurotóxica, afetando o sistema nervoso central e paralisando rapidamente suas presas. No caso de acidentes com pessoas, esse efeito neurotóxico pode levar à parada cardiorrespiratória, e, portanto, evoluir mais rapidamente para um quadro grave, em comparação com acidentes com jararacas, por exemplo, os mais frequentes no país", explica. Menina de 4 anos sobrevive a choques anafiláticos após picada de cobra-coral Arquivo pessoal VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias